O peso em vazio, também designado tara, é a massa de um automóvel tal como se apresenta pronto a circular, mas sem pessoas nem qualquer carga. É o valor de referência a partir do qual decorrem a maioria dos restantes cálculos de peso, abrangendo o próprio veículo, completo com todos os fluidos e equipamentos necessários ao funcionamento, mas excluindo a carga variável de passageiros e bagagem. Responde, assim, a uma pergunta simples: quanto pesa este automóvel antes de alguém entrar.
A definição exata varia ligeiramente entre normas, mas o peso em vazio inclui geralmente o depósito de combustível cheio, óleo do motor, líquido de refrigeração, líquido dos travões, líquido do lava-vidros e um conjunto de ferramentas ou roda sobresselente, quando existentes, a par de todo o equipamento de série desse acabamento. Exclui deliberadamente o condutor e os ocupantes; em contrapartida, algumas medições europeias acrescentam um condutor nocional de 75 quilogramas, o que dá um valor ligeiramente diferente e explica por que razão os pesos indicados para o mesmo modelo podem divergir. Extras opcionais como um teto panorâmico, jantes maiores ou uma bola de reboque acrescentam todos ao valor real, para além da base do catálogo.
O peso tem um efeito generalizado no desempenho de um automóvel. Um veículo mais leve acelera com mais vigor para uma dada potência, imobiliza-se numa distância mais curta por haver menos inércia a travar, e gasta menos energia a deslocar-se, melhorando o consumo e, num elétrico, a autonomia. Tende também a parecer mais ágil, mudando de direção com mais prontidão por haver menos inércia a vencer. É por isto que os fabricantes investem fortemente em materiais leves como o alumínio, o aço de alta resistência e os compósitos, e que a competição automóvel trata cada quilograma como um inimigo.
O peso em vazio é igualmente a base de dois valores derivados cruciais. Subtraindo-o ao peso bruto obtém-se a carga útil, a massa total de passageiros e carga que um veículo pode legalmente transportar, enquanto dividindo a potência do motor pelo peso em vazio se obtém a relação peso-potência, que prevê de forma genérica o desempenho. Um automóvel pode ter um motor potente e ainda assim parecer pesado se for muito pesado, tal como um motor modesto pode parecer vivo numa carroçaria leve.
A complicação moderna é a eletrificação. Uma bateria suficientemente grande para garantir uma autonomia útil acrescenta várias centenas de quilogramas, pelo que um elétrico pesa habitualmente bastante mais do que um equivalente a gasolina ou gasóleo do mesmo tamanho, com implicações no desgaste dos pneus, na travagem, nas cargas sobre a via e as pontes e até nos parques de estacionamento. Os automóveis mais pesados libertam também mais energia numa colisão, o que é uma das razões pelas quais a compatibilidade entre veículos grandes e pequenos é uma preocupação de segurança. O peso em vazio situa-se, por isso, no centro de uma teia de especificações afins, incluindo a carga útil, o peso bruto e a relação peso-potência.
- Peso do automóvel pronto a circular, sem pessoas nem carga
- Inclui o depósito cheio e todo o equipamento de série
- Um peso em vazio menor melhora aceleração, travagem e consumo
- Os elétricos pesam mais do que os equivalentes a gasolina devido às baterias