A caixa de dupla embraiagem, habitualmente abreviada para DCT, é uma caixa automática que consegue mudanças de velocidade rápidas e quase impercetíveis recorrendo a duas embraiagens distintas, em vez da embraiagem única de uma caixa manual ou do acoplamento hidráulico de uma automática tradicional. Foi desenvolvida para conjugar a eficiência e o toque direto de uma caixa manual com a comodidade e a rapidez de mudança de uma automática, tornando-se uma escolha de eleição para automóveis desportivos e para muitos modelos generalistas em que se valoriza uma troca de relações limpa e veloz.
A característica definidora é o par de embraiagens, cada uma a servir o seu próprio conjunto de relações: uma embraiagem comanda as relações ímpares, primeira, terceira e quinta, enquanto a outra comanda as relações pares e a marcha-atrás. Estão habitualmente dispostas de forma concêntrica sobre dois veios de entrada encaixados um no outro. Como uma das embraiagens está sempre engatada a transmitir potência enquanto a outra está libertada e em espera, a caixa pode pré-selecionar a relação seguinte antes de esta ser necessária. Chegado o momento da mudança, a unidade de comando limita-se a libertar uma embraiagem e a engatar a outra, trocando a transmissão de potência entre os dois veios numa fração de segundo, sem qualquer interrupção do binário às rodas.
Esta pré-seleção é a chave do comportamento da DCT. As mudanças podem ocorrer em apenas algumas centésimas de segundo, muito mais depressa do que um condutor consegue com uma caixa manual e, como o fluxo de binário é praticamente contínuo, as trocas sentem-se sem interrupções durante a aceleração. A eficiência mecânica também tende a ser superior à de uma automática com conversor de binário, uma vez que a potência passa por embraiagens engatadas em positivo, em vez de fluido a patinar, o que beneficia tanto o desempenho como o consumo de combustível.
As unidades de dupla embraiagem apresentam-se em duas grandes variantes. As de embraiagem seca, com discos de fricção que trabalham ao ar, adequam-se a motores mais pequenos e a automóveis mais leves e minimizam as perdas por arrasto. As de embraiagem em banho de óleo trabalham os conjuntos de embraiagem em óleo, para melhor arrefecimento e maior capacidade de binário, sendo a escolha para motores potentes. Muitas admitem comando por patilhas, deixando o condutor sobrepor-se à lógica automática, e o conceito deve o seu sucesso de massas à DSG da Volkswagen, no início da década de 2000, embora o princípio remonte a várias décadas antes.
Há compromissos a considerar. A velocidades muito baixas, em trânsito ou em manobras, uma DCT pode parecer hesitante ou aos solavancos, porque fazer patinar uma embraiagem a partir da imobilização é menos suave do que a tomada progressiva de um conversor de binário, e as unidades mecatrónicas e os conjuntos de dupla embraiagem podem ser dispendiosos de reparar ou substituir. As mudanças periódicas do óleo da caixa são importantes, sobretudo nas unidades em banho de óleo. Face às suas alternativas, a DCT situa-se entre a caixa manual, cuja embraiagem na prática automatiza e duplica, e a automática com conversor de binário, à cuja suavidade ao ralenti renuncia em troca de mudanças mais incisivas e eficientes.
- Duas embraiagens comandam as relações ímpares e pares
- A relação seguinte é pré-selecionada para mudanças instantâneas
- Rápida, suave e eficiente — popular em automóveis desportivos
- Pode ser brusca a baixa velocidade e mais cara de reparar