O consumo de combustível traduz a quantidade de combustível que um veículo gasta para percorrer uma determinada distância e constitui a medida mais importante para avaliar quão económico é mantê-lo em circulação. Para a maioria dos proprietários reflete-se diretamente no custo de andar de carro e, à escala da sociedade, está ligado às emissões de carbono e ao consumo de energia. Por englobar a eficiência do veículo no seu todo — motor, caixa de velocidades, aerodinâmica, peso e resistência ao rolamento em conjunto —, é um valor muito mais revelador do comportamento real do que qualquer especificação mecânica isolada.
Esta grandeza exprime-se de duas formas principais consoante o mercado. Em grande parte do mundo, e em Portugal, indica-se em litros aos 100 quilómetros (L/100 km), em que um valor mais baixo é melhor, por representar menos combustível queimado numa distância fixa. O Reino Unido e os Estados Unidos recorrem tradicionalmente às milhas por galão (mpg), em que um valor mais alto é melhor, embora o galão imperial britânico seja maior do que o galão americano, pelo que os dois valores em mpg não são diretamente equivalentes. Ambas as convenções descrevem a mesma relação entre combustível gasto e distância percorrida.
O consumo resulta da combinação de características fixas do veículo com condições de condução variáveis. Um carro mais pesado, um motor maior ou menos eficiente, fraca aerodinâmica, pneus com pressão insuficiente e uma afinação muito exigente fazem subir o consumo. O mesmo sucede com a forma de conduzir: acelerações bruscas, velocidades elevadas em autoestrada, paragens frequentes, trajetos curtos a frio, cargas pesadas e o uso do ar condicionado agravam os valores. Uma condução constante e moderada, com tempo ameno, proporciona os melhores resultados.
Os valores oficiais de consumo obtêm-se através de procedimentos de ensaio laboratoriais normalizados, para que modelos diferentes possam ser comparados em igualdade de circunstâncias. O procedimento europeu atual é o WLTP (Worldwide Harmonised Light Vehicles Test Procedure), que substituiu o antigo e notoriamente otimista ciclo NEDC. Os valores WLTP são mais realistas, mas mantém-se inevitavelmente uma diferença: o consumo real é quase sempre superior ao valor certificado, porque a condução do dia a dia raramente coincide com as condições controladas do ensaio. Os valores oficiais devem ser encarados como referência comparativa e não como promessa.
O consumo de combustível acompanha de perto as emissões de dióxido de carbono. Queimar um litro de gasolina ou de gasóleo produz uma quantidade fixa de CO2 — cerca de 2,3 kg na gasolina e 2,6 kg no gasóleo —, pelo que a quantidade de combustível gasta determina diretamente a quantidade de CO2 emitida. É por isso que economia e impacto ambiental são inseparáveis e que a tributação baseada no CO2 penaliza, na prática, os carros mais gastadores.
O consumo de combustível ocupa o centro de um conjunto de conceitos interligados. Exprime-se nas unidades litros aos 100 km e milhas por galão, está fisicamente ligado às emissões de CO2 e é oficialmente certificado pelo procedimento WLTP, que rege a forma como surgem os valores destacados na ficha técnica de um automóvel.
- Combustível gasto por distância — a medida central do custo de utilização
- Indicado em L/100 km (menos é melhor) ou mpg (mais é melhor)
- Os valores reais são piores do que os dos ensaios oficiais
- Acompanha diretamente as emissões de CO2