Um head-up display, universalmente conhecido por HUD, apresenta a informação de condução essencial no campo de visão frontal do condutor, de modo que possa ser lida sem se baixar o olhar para o quadrante de instrumentos ou para o ecrã central. O conceito foi importado da aviação militar, onde os pilotos precisavam de dados críticos sem tirar os olhos do céu, e migrou para os automóveis pela mesma razão de fundo: cada instante em que o olhar do condutor abandona a estrada aumenta o risco de colisão. Ao fazer flutuar a informação à frente do para-brisas, o HUD procura manter a atenção onde ela deve estar.
Do ponto de vista técnico, o ecrã funciona por projeção. Uma fonte de imagem pequena e luminosa — historicamente um LCD de transístor de película fina, cada vez mais um projetor laser ou DLP — gera os gráficos, que se refletem numa série de espelhos e, depois, na superfície interior do para-brisas ou, nos sistemas mais económicos, num pequeno painel transparente, o combinador. A ótica está disposta de forma que a imagem virtual resultante pareça pairar um par de metros à frente do automóvel, e não sobre o vidro propriamente dito. Isto é importante porque os olhos do condutor já estão focados ao longe, na estrada, pelo que pouco ou nada precisam de refocar para ler os dados, o que reduz o cansaço visual e o tempo necessário para os interpretar.
O benefício é, pois, duplo: os olhos mantêm-se na estrada e focados à distância de condução, e ambos os fatores encurtam os tempos de reação perante um perigo. O conteúdo é escolhido para se adequar a este formato de leitura rápida e inclui tipicamente a velocidade atual, o limite de velocidade em vigor, as setas de navegação curva a curva e os avisos dos sistemas de assistência, como os alertas de colisão, as saídas de faixa ou o estado do controlo de velocidade adaptativo. Como a informação é entregue sem que o condutor desvie o olhar, é particularmente valiosa a velocidade elevada e em tráfego intenso, situações em que a atenção é um bem escasso.
Os head-up displays cobrem uma vasta gama de sofisticação. As unidades de combinador mais simples levantam um pequeno painel que mostra apenas a velocidade, ao passo que os sistemas integrados no para-brisas oferecem ecrãs maiores e a cores. Os mais avançados são os HUD de realidade aumentada, que recorrem a um campo de visão muito mais amplo para sobrepor os gráficos diretamente ao mundo real: uma seta de navegação pode parecer assentar no próprio entroncamento que o condutor deve tomar, ou um realce pode ser desenhado em torno de um peão detetado pelo sistema de visão noturna, ancorando a informação à cena em vez de simplesmente a enumerar.
Há considerações práticas e limites a ter em conta. Os gráficos têm de ser suficientemente brilhantes para se manterem legíveis contra uma estrada iluminada pelo sol e, ainda assim, esbater-se automaticamente de noite para não encandear, e a maioria dos sistemas permite ajustar a altura e o brilho à posição do banco do condutor. Os óculos de sol polarizados podem tornar alguns ecrãs invisíveis, e é muitas vezes necessária uma camada interior especial em cunha no para-brisas para evitar uma imagem duplicada fantasma, o que torna mais dispendiosa a substituição do vidro. O HUD é mais bem entendido como um dispositivo de saída que faz aflorar a informação de outros sistemas — assistência à velocidade, reconhecimento de sinais de trânsito, navegação, controlo de velocidade adaptativo e visão noturna — colocando os respetivos dados exatamente onde o condutor os pode usar com maior segurança.
- Projeta os dados de condução na linha de visão do condutor
- Mantém os olhos na estrada e focados à distância
- Mostra velocidade, navegação e avisos de assistência
- As versões de realidade aumentada sobrepõem gráficos à estrada real