O acoplamento multidisco, abreviado MPT (multi-plate transfer), é um acoplamento por embraiagem usado nos sistemas de tração integral para variar a quantidade de binário enviada para um segundo eixo. Em vez de unir mecanicamente os eixos com uma repartição fixa, recorre a um conjunto de discos de fricção intercalados que podem ser comprimidos com força variável, permitindo controlar de forma progressiva a proporção de binário desviada para o eixo secundário, desde zero até uma parcela substancial. É este o coração de muitos veículos modernos com tração integral a pedido.
O mecanismo assenta no mesmo princípio de uma embraiagem. Um conjunto de discos, estriados alternadamente aos lados de entrada e de saída do acoplamento, está mergulhado num banho de óleo. Quando os discos são comprimidos entre si, transmitem binário por fricção; quando libertados, os dois lados podem rodar de forma independente e não passa movimento. A força de aperto é aplicada por um atuador, que pode ser hidráulico, eletromagnético ou eletromecânico, e é regulada de forma contínua, para que o acoplamento possa entregar desde uma ligeira pré-carga até quase ao bloqueio total, conforme as condições exigem.
A principal vantagem deste esquema é a eficiência aliada à capacidade. Na grande maioria da condução normal, o acoplamento permanece quase totalmente desengatado e o veículo circula como tração a duas rodas, em geral dianteira, com o eixo secundário desligado para reduzir ao mínimo o arrasto e o consumo. No instante em que o sistema deteta patinagem das rodas, ou a antecipa a partir dos dados do acelerador, da direção e de outros sensores, comprime os discos e alimenta o segundo eixo com binário em frações de segundo, restabelecendo a tração sem qualquer intervenção do condutor.
A aplicação mais conhecida é o acoplamento Haldex, montado em muitos automóveis com motor transversal e tração integral de fabricantes do Grupo Volkswagen, da Volvo e de outros. As primeiras gerações eram sobretudo reativas, engatando apenas depois de a patinagem ter começado, ao passo que as versões posteriores, de comando eletrónico, conseguem pré-carregar a embraiagem e repartir o binário de forma proativa, para uma resposta mais incisiva e até um certo pendor desportivo. Acoplamentos multidisco semelhantes surgem com diversas denominações comerciais por toda a indústria, desempenhando o mesmo papel essencial de ligação de eixo a pedido.
Vale a pena distinguir um acoplamento multidisco do diferencial central de um sistema de tração integral permanente. Um diferencial central reparte permanentemente o binário entre os eixos, deixando-os rodar a velocidades diferentes, enquanto o acoplamento multidisco mantém normalmente o segundo eixo desligado, engatando-o apenas quando preciso. O compromisso está em que um acoplamento a pedido pode sofrer um breve atraso até chegar a tração plena e pode sobreaquecer sob carga pesada e prolongada, razão pela qual os verdadeiros todo-o-terreno preferem muitas vezes um diferencial central bloqueável. Para veículos de vocação rodoviária que procuram a segurança da tração integral com a economia da tração a duas rodas, contudo, o acoplamento multidisco é uma solução elegante e amplamente adotada.
- Conjunto de discos de embraiagem que varia o binário enviado a um segundo eixo
- Engata o outro eixo a pedido quando deteta patinagem
- Permite circular em tração a duas rodas, com eficiência, a maior parte do tempo
- Usado em muitos sistemas AWD a pedido (por exemplo, Haldex)