A suspensão multibraço é uma forma avançada de suspensão independente na qual cada roda é guiada não por um ou dois braços de grandes dimensões, mas por vários braços separados, cada um ligando o porta-rodas ao chassis ou ao quadro auxiliar através do seu próprio par de articulações. Ao repartir por vários braços esguios a tarefa de controlar a roda, o projetista ganha uma liberdade invulgar para definir com exatidão a forma como a roda se desloca ao longo do seu curso. Existe para ultrapassar o compromisso inerente às arquiteturas mais simples, em que um único braço tem de controlar vários aspetos da geometria em simultâneo e melhorar um deles agrava inevitavelmente outro.
O princípio assenta na geometria. Cada braço restringe o porta-rodas numa direção determinada e, ao escolher o comprimento, o ângulo e os pontos de fixação de cada braço, o engenheiro pode moldar a forma como a câmber, a convergência e a posição longitudinal da roda variam à medida que a suspensão comprime, distende e o automóvel curva ou trava. Em regra utilizam-se três a cinco braços por roda. Como estes parâmetros podem ser definidos de forma largamente independente uns dos outros, a arquitetura permite uma afinação fina, quase cirúrgica, que um pé McPherson ou mesmo um duplo triângulo não conseguem igualar.
A recompensa é a possibilidade de otimizar o conforto e o comportamento dinâmico em simultâneo, em vez de sacrificar um em favor do outro. Podem usar-se casquilhos flexíveis para absorver a aspereza e o ruído da estrada, garantindo uma rodagem suave, enquanto a geometria dos braços é disposta de modo a que a roda continue a convergir e a inclinar nas direções que mantêm a aderência e a estabilidade sob carga. A suspensão pode ser concebida para manter o pneu bem assente em curvas vigorosas e, ainda assim, permanecer tolerante em pisos degradados, que é precisamente a combinação que distingue um automóvel verdadeiramente refinado.
Por estas razões, a suspensão multibraço encontra-se sobretudo no eixo traseiro de berlinas premium, automóveis executivos e modelos de elevado desempenho, e cada vez mais no eixo dianteiro de viaturas mais dispendiosas. Permite aos fabricantes oferecer a serenidade e o conforto esperados no topo do mercado e é um indicador frequente de um automóvel concebido tendo como prioridades o comportamento dinâmico e o refinamento.
Os inconvenientes são o custo, a complexidade e o espaço ocupado. Muitos braços significam muitas articulações e casquilhos, mais maquinação, mais tempo de montagem e uma instalação mais pesada e exigente em espaço do que um simples eixo rígido ou um pé McPherson. Há também mais componentes sujeitos a desgaste e que exigem alinhamento correto durante a manutenção. O sistema entende-se melhor como o membro mais sofisticado e ajustável da família das suspensões independentes, indo além do duplo triângulo em capacidade de afinação e contrastando claramente com as arquiteturas mais simples e económicas, como o pé McPherson e o eixo de torção, usadas onde o orçamento ou o espaço são mais limitados.
- Fixa cada roda através de vários braços independentes
- Permite afinar de forma fina e independente a geometria da roda
- Otimiza conforto e comportamento dinâmico sem o compromisso habitual
- Comum no eixo traseiro de automóveis premium; complexa e dispendiosa