A cadeia de tração, designada na indústria pelo termo inglês powertrain, abrange todos os componentes envolvidos na produção da força motriz de um veículo e na sua entrega ao solo. Trata-se da expressão mais completa para descrever o sistema de propulsão, abarcando tudo desde a fonte de energia, seja um motor de combustão ou um motor elétrico, até às rodas que efetivamente movem o automóvel. Quando engenheiros e fabricantes explicam de que forma um carro avança, é a esta cadeia inteira que se referem, encarada como um sistema único e integrado e não como um conjunto de peças soltas.
Vale a pena distinguir com precisão a cadeia de tração da transmissão (drivetrain), pois confundem-se com frequência. A transmissão diz respeito apenas aos órgãos que transmitem a potência, ou seja, embraiagem ou conversor de binário, caixa de velocidades, veios de transmissão, diferencial e grupo final, mas exclui explicitamente a própria fonte de energia. A cadeia de tração é mais ampla, acrescentando o motor e, em muitas utilizações, o armazenamento e a gestão de energia. Em suma, a transmissão é aquilo de que a cadeia de tração se serve para entregar a potência que o motor produziu.
Num automóvel convencional a gasóleo ou gasolina, a cadeia de tração compreende o motor de combustão interna com os respetivos sistemas de alimentação, admissão e escape, a caixa de velocidades e todos os veios, juntas e diferenciais que conduzem o binário às rodas. A disposição destes elementos, onde fica o motor, que rodas são motrizes e que tipo de caixa equipa o carro, define grande parte do carácter de um veículo, razão pela qual a configuração geral de um modelo é muitas vezes resumida pela descrição da sua cadeia de tração.
A eletrificação alargou consideravelmente o termo. Num veículo totalmente elétrico, a cadeia de tração é constituída pela bateria de tração, pelo inversor e eletrónica de potência, por um ou mais motores elétricos e pela desmultiplicação e veios até às rodas. As cadeias híbridas combinam um motor de combustão com um ou mais motores elétricos e uma bateria, geridos por software de controlo sofisticado. A expressão adapta-se com naturalidade a cada caso porque sempre significou o conjunto que produz e entrega a potência, independentemente da tecnologia subjacente.
Para quem compra e usa um carro, raciocinar em termos de cadeia de tração é útil porque o desempenho, a eficiência, a suavidade e a fiabilidade resultam da forma como todos estes elementos trabalham em conjunto, e não de uma especificação isolada. Um mesmo motor revela-se bastante diferente associado a uma caixa automática de conversor de binário suave ou a uma caixa de dupla embraiagem incisiva, e a mesma bateria oferece autonomia e resposta distintas consoante o motor e a desmultiplicação. Encarar a propulsão como uma cadeia de tração coordenada, e não como uma lista de componentes avulsos, dá a imagem mais fiel de como um veículo se comportará na estrada.
- Tudo aquilo que produz e entrega a potência de um veículo
- Inclui o motor mais toda a transmissão (drivetrain)
- Mais abrangente do que a transmissão, que exclui a fonte de energia
- Usada com frequência para descrever a configuração geral do veículo