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06 — Glossário
Motor e emissões

Correia de distribuição

A correia de distribuição é uma correia dentada de borracha que sincroniza a cambota e as árvores de cames, fazendo abrir as válvulas em sintonia com os pistões.

Categoria
Motor e emissões
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Definição

A correia de distribuição é o componente dentado que mantém os conjuntos rotativos do motor em rigoroso acordo mecânico, garantindo que as válvulas abrem e fecham no momento exato relativamente à posição dos pistões. Num motor de quatro tempos, a cambota e as árvores de cames têm de rodar numa relação fixa de dois para um, e qualquer desvio nessa relação faria com que as válvulas estivessem abertas quando deveriam estar fechadas. A razão de ser da correia é impor essa sincronização de forma fiável, silenciosa e a baixo custo.

A correia é, em si, um anel de borracha reforçada ou, nos motores modernos, de um elastómero mais resistente, com dentes moldados na face interior que engrenam de forma positiva com polias dentadas na cambota e nas árvores de cames. Fios embutidos de fibra de vidro ou de aramida conferem-lhe a resistência à tração necessária para não esticar, de modo a manter a relação de distribuição rotação após rotação. A mesma correia aciona frequentemente também a bomba de água e é mantida na tensão correta por um tensor de mola ou hidráulico e guiada por roletes (idlers).

Face à corrente de distribuição metálica, que desempenha a mesma função, a correia oferece várias qualidades apelativas: funciona em silêncio, pesa pouco, não necessita de lubrificação pelo óleo do motor e é mais barata de fabricar, fatores que a tornaram popular em motores a gasolina e a diesel generalistas a partir dos anos 70.

A sua fraqueza definidora é que a borracha envelhece e desgasta-se. O calor, a contaminação por óleo, os ciclos de tensão e a simples fadiga degradam-na gradualmente e, ao contrário de uma corrente, não se pode contar que dure toda a vida do motor. Por isso, os construtores especificam um intervalo de substituição, normalmente algures entre os sessenta e os cem mil milhas, ou de poucos em poucos anos, conforme o que ocorrer primeiro, sendo prudente renovar ao mesmo tempo o tensor, os roletes e muitas vezes a bomba de água, já que a sua avaria pode destruir uma correia nova. Em Portugal, o estado da distribuição é também algo que convém ter em ordem tendo em vista a inspeção periódica obrigatória (IPO).

As consequências da negligência são elevadas naquilo a que se chama um motor de interferência, o tipo mais comum, no qual válvulas e pistões partilham espaço dentro do cilindro em momentos distintos do ciclo. Se a correia parte ou salta dentes, as árvores de cames param enquanto os pistões continuam, podendo as válvulas ser embatidas pelos pistões em subida, o que as empena e pode arruinar a cabeça do motor ou pior. O custo destes danos ultrapassa em muito o de uma substituição de rotina, razão pela qual respeitar o intervalo de manutenção é uma das mais importantes ações de manutenção preventiva ao alcance de quem possui o veículo. Alguns motores são concebidos com folga suficiente para serem de não interferência e sobreviverem à rotura da correia, mas tal não se pode presumir sem consultar a especificação.

Pontos-chave
  • Correia de borracha dentada que liga a cambota às árvores de cames
  • Mantém a sincronização das válvulas com os pistões
  • Desgasta-se — tem de ser substituída num intervalo definido
  • Uma correia partida pode destruir um motor de interferência
Também conhecido como
cam beltcambelttiming belt